sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cursos Abertos e Massivos – MOOC



Não estamos na era da informação. Não estamos na era da Internet. Nós estamos na era das conexões. Ser conectado está no cerne da nossa democracia e nossa economia. Quanto maior e melhor forem essas conexões, mais forte serão nossos governos, negócios, ciência, cultura, educação...

David Weinberger


Os cursos online abertos e massivos são aqueles que se encontram disponíveis em sites específicos da internet e oferecem uma variedade de temas para quem busca experiências diferentes e novos conhecimentos de acordo com seus interesses particulares.
Do inglês, Massive Open Online Course (MOOC), é um tipo de curso que é realizado através da internet por meio de plataformas web 2.0, através de ferramentas AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) ou ainda, utilizando-se das Redes Sociais.
O objetivo é oferecer ao maior número de alunos possível, a oportunidade de ampliar seus conhecimentos num processo de co-produção.
É um procedimento recente usado na área de Educação à Distância e se difere dos cursos tradicionais por não exigir requisitos mínimos para participação, mas também não oferecem certificados.
Há possibilidade de que futuramente os cursos possam vir a ser validados através de avaliações presenciais realizadas em Universidades.
Desenvolvida por George Siemens e Stephen Downes, o conectivismo é uma teoria de aprendizagem presente na ciência da computação que se baseia na ideia de que o conhecimento existe no mundo, contrapondo-se a outras teorias que afirmam que ele existe na cabeça de um indivíduo. E deve-se a esta nova abordagem, que estuda e tenta explicar o efeito da tecnologia sobre a forma como as pessoas vivem, como se comunicam e como aprendem, a origem desse sistema de aprendizagem que partilha informações no ambiente virtual que pode ser acessado por qualquer pessoa, em qualquer lugar onde esteja utilizando para isso a internet.
Recentemente, uma série de projetos de MOOC surgem de forma independente. Os projetos são elaborados por instituições que aplicam recursos para disponibilizarem esta plataforma de aprendizagem em sites específicos na internet.
Especula-se que esses projetos visam fazer experimentos para transformar os atuais cursos e-learnings mais acessíveis, sustentáveis e rentáveis.

A era da Informação

Conforme nos diz Lemos, nas cidades ocidentais desenvolvidas, a informatização da sociedade se encontra estabelecida desde a década de 1970. Com a popularização da internet iniciada na década de 80, surge uma nova fase da sociedade da informação. Houve transformações nas práticas sociais, na vivência do espaço urbano e na forma de produzir e consumir informação. O usuário não precisa se deslocar até a rede, mas a rede passa a envolver os usuários numa conexão generalizada.
Os recursos tecnológicos possibilitam e exigem que as informações de vários contextos ou ambientes – de trabalho, lazer etc. – sejam incorporados produtivamente. Cabe acrescentar a educação, que pode se favorecer do uso das tecnologias para difundir informações que possam contribuir com a construção do conhecimento transpondo assim os limites geográficos.

A Educação à Distância

A educação vem sendo separada nas modalidades presencial e à distância.
Para Tori (2010), a separação da educação nestas duas modalidades não necessariamente contribui para o seu avanço. Também não considera adequada a "contraposição entre 'educação a distância' e 'educação presencial'". O motivo que fica claro é que o aluno pode estar presente fisicamente na aula, mas estar ausente psicologicamente. E ainda, o mesmo aluno pode estar presente e envolvido em interações e bate-papos via internet. As interações online podem aumentar a empatia e a intimidade entre os colegas, que mesmo frequentando aulas sob o mesmo teto, mal se conheciam.
Através do ambiente virtual, o aluno se aproxima do conteúdo, do objeto de aprendizagem, aprendendo a aprender.

Formas de integração entre educação presencial e à distância
  • Substituição de aulas expositivas por material interativo on-line, complementado por aulas presenciais, com menor carga horária e pequeno número de alunos, destinadas a atividades que envolvem discussões, esclarecimentos de dúvidas, dinâmicas de grupo, orientações;
  • Aulas magnas oferecidas via teleconferência ou em encontros ao vivo;
  • Gravação em vídeo de aulas magnas, sincronizando com os respectivos slides de apresentação e disponibilização aos alunos, via servidores de vídeo streaming;
  • Criação de fóruns de discussão por série, por área, por disciplina e por projeto;
  • Oferecimento de monitoria on-line aos alunos;
  • Oferecimento de laboratórios virtuais que permitam aos alunos a realização de experiências preparatórias, reduzindo-se o tempo necessário para experimentações em laboratórios reais, ou, em alguns casos, substituindo-se laboratórios que ocupam espaços físicos;
  • Oferecimento aos alunos de conta para acesso, via internet, a área em disco virtual, a conteúdos e laboratórios virtuais, a fóruns de discussão, a biblioteca e a outros recursos de apoio.
Os Nativos Digitais

Para Prensky (2001), os alunos de hoje - do maternal à faculdade- representam as primeiras gerações que cresceram com esta nova tecnologia. Os jogos de computadores, e-mail, a internet, os telefones celulares e as mensagens instantâneas são parte integrais de suas vidas. A forma como processam as informações é bem diferente das gerações anteriores. Estes são os "nativos digitais", que crescem cercados pela tecnologia e familiarizados com seu uso, de maneira natural.
Por outro lado, temos os "imigrantes digitais", que são aqueles que pertencem às gerações anteriores e se adaptaram ao uso das tecnologias. Os imigrantes digitais, como todo imigrante, adaptaram-se e aprendem uns mais, outros menos, de acordo com as próprias capacidades.
O imigrante digital, para ser melhor compreendido, é aquele que ainda mantém um pé preso ao passado. Por exemplo, para ler um e-mail, ele pede que a secretária o imprima.
A dificuldade encontrada na educação é que o imigrante digital, acostumado a práticas pré-digitais, é quem dá instruções aos nativos digitais. Devido a isto há uma grande dicotomia entre o que de fato interessa às crianças e jovens da atualidade e o que lhes é apresentado através dos métodos de aprendizagem.
É importante que diante deste impasse, haja espaço para a troca de informações, que se dá dialogicamente, onde as duas gerações tragam a campo as suas experiências para que elas possam interagir de forma a garantir o sucesso do ensino e da aprendizagem escolar.

MOOC e o acesso ao conhecimento

Um fenômeno online que integra a conectividade de uma rede social à facilidade desse obter conhecimento em um campo específico de estudo. Através de uma coleção de recursos acessíveis pela internet, os estudantes podem se auto-organizarem, administrando seu tempo de acordo com seus interesses e sua motivação.
O assunto, o horário de estudo, a carga horária, a duração, tudo isto é definido pelo aluno, não sendo necessário nenhum pré-requisito para sua participação no curso.

Veja exemplo de curso aberto e massivo, aqui.


Referenciais

LASTRES, Helena. ALBAGLI, Sarita. Informação e globalização na era do conhecimento – Rio de Janeiro: Campus, 1999.

LEMOS, André. Cibercultura e Mobilidade: a Era da Conexão. novembro, 2004. Disponível em: http://www.razonypalabra.org.mx/anteriores/n41/alemos.html Acesso em: 17 mai. 2013.

Mcauley, Alexander; STEWART, Bonnie; SIEMENS, George; CORMIER, Dave. Massive open online courses: Digital ways of knowing and learning. University of Prince Edward Island through the Social Sciences and Humanities Research Council's Knowledge Synthesis Grants on the Digital Economy, 2010 CC Attribution.

PRENSKY, Marc. Nativos digitais, imigrantes digitais. De On the Horizon (NCB University Press, Vol. 9 No. 5, Outubro 2001) Disponível em: http://poetadasmoreninhas.pbworks.com/w/file/fetch/60222961/Prensky%20-%20Imigrantes%20e%20nativos%20digitais.pdf. Acesso em: 17 mai. 2013.

TORI, Romero. As tecnologias interativas na redução de distâncias em ensino e aprendizagem. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010.

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