sábado, 15 de fevereiro de 2014

A IMPORTÂNCIA DA ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR EM SALA DE AULA

Texto por: Alda Cavalcante Bezerra

É na interação que o sujeito aprende e ensina. Daí, podemos depreender a importância de se organizar o espaço escolar, mais especificamente o da sala de aula, para receber os alunos e proporcionar que haja meios de garantir esse estreitamento de vínculo. Conforme nos fala OLIVEIRA (1997), em seus estudos sobre o pensamento de VIGOTSKY:

A interação face a face entre indivíduos particulares desempenha
um papel fundamental na construção do ser humano: é através da relação
interpessoal concreta com outros homens que o indivíduo vai chegar a
interiorizar as formas culturalmente estabelecidas de funcionamento
psicológico.

Segundo as conclusões da autora, a vida social ocorre de maneira dinâmica, onde cada sujeito participa ativamente de seu meio estabelecendo uma relação entre o mundo cultural e o mundo interno de cada um. O conhecimento a respeito de todo esse universo cultural e particular se dá através das interações estabelecidas entre os indivíduos no meio social em que participam.

Temos então que a maneira como é organizado o espaço em sala de aula reflete diretamente em como se dá essa interação e o trabalho pedagógico docente como um todo. É importante que a organização priorize aspectos indispensáveis para a construção da aprendizagem, tais como vivência da prática do diálogo entre
os indivíduos envolvidos neste processo. 

Para qualquer finalidade, é necessário que ambiente seja acolhedor e que motive a troca entre os alunos e professores, mas dependendo da situação específica, o espaço pode ser organizado de maneira diferente para atender a necessidade de forma mais pontual. Por exemplo, num momento de debate entre toda a turma, é interessante que as carteiras estejam dispostas em círculos para que todos possam olhar uns para os outros e terem a sua vez de expor seus pontos de vista. Deste modo, o debate fica mais face a face e a compreensão da ideia é favorecida já que é possível reconhecer no outro as expressões faciais, além da própria fala em si.

MANEIRAS DE ORGANIZAR AS CARTEIRAS EM SALA DE AULA

FREITAS (2008) nos diz que é essencial discutir as disposições das carteiras, pois "[...] são fundamentais para contribuir com a aprendizagem de forma significativa.”. Elas devem mudar de posição de acordo com a aula planejada, atendendo aos seus objetivos já que é sabido que aprendemos na interação com o outro e com os espaços. Ele afirma ainda que a forma menos indicada para dispor as carteiras da sala de aula é a enfileirada, pois não proporciona as interações necessárias e fortalecem a relação de autoridade do professor com o aluno.

Carteiras enfileiradas



Na tradicional organização das carteiras enfileiradas, é possível pensar no professor transmitindo o conhecimento enquanto os alunos o absorvem, a metodologia denota estar centrada no professor, de forma diretiva, onde cabe a ele organizar e sistematizar o conteúdo que deseja que seus alunos aprendam. A avaliação costumeira neste enfoque é a que mede os conhecimentos quantitativamente, onde são distribuídos questionários aos quais os alunos devem responder e devolverem o conteúdo conforme lhes foi transmitido. 

Este tipo de organização não favorece o diálogo entre os sujeitos, o relacionamento com o professor se dá de maneira vertical, onde ele está acima do aluno e, portanto, não há espaço para o diálogo.

Apesar disso, em alguns momentos, essa maneira de dispor as carteiras pode ser necessária, tal como durante a aplicação de uma prova individual, mas se torna inviável no dia-a-dia em sala de aula onde há necessidade da troca de conhecimentos para que o aluno construa seu conhecimento com autonomia e de maneira ativa.

Mesas agrupadas



As mesas dispostas em pequenos grupos favorecem a interação e diálogo entre os alunos, bem como a intervenção do professor que caminha pela sala participando das discussões dos mesmos.

É uma maneira de oferecer condições para que o aluno possa utilizar de seus conhecimentos prévios para debater no grupo e encontrar soluções para os exercícios propostos pelo professor.

A reflexão torna-se presente neste tipo de agrupamento, já que o aluno precisa pensar e repensar a respeito de suas ideias para exteriorizá-las de maneira que traga acréscimo de informações ao grupo.

Neste sentido, podemos citar GADOTTI (2003):

Nós, seres humanos, não só somos seres inacabados e incompletos como temos consciência disso. Por isso, precisamos aprender “com”. Aprendemos “com” porque precisamos do outro, fazemo-nos na relação com o outro, mediados pelo mundo, pela realidade em que vivemos.
Partindo deste ponto de vista, temos que a aprendizagem se dá na troca de conhecimentos, atribuindo a partir daí sentido próprio ao que foi compartilhado, onde todos os alunos podem encontrar espaço para participarem e exporem suas ideias de maneira que possa assim construir conjuntamente e individualmente o sentido tão necessário ao objeto de estudo, seja ele qual for.

Dispostos em círculo 



Neste tipo de disposição tanto professor quanto alunos se colocam em nível de igualdade, numa relação horizontal, não diretiva, onde há respeito pelas opiniões e o saber não se centra num só indivíduo, mas nos diferentes pontos de vista que são estimulados a virem à tona no debate.

O processo de diálogo estimula a curiosidade, no que nos diz FREIRE (1996):

O sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na História.

O diálogo é prática necessária e indispensável das atuais didáticas educacionais, onde é valorizado o conhecimento prévio do aluno através de seus relatos de vivência, estabelecendo relações com outras situações e construindo assim novas aprendizagens.

Professor e aluno são aliados no processo de ensino e aprendizagem, o professor faz a mediação entre o conhecimento e o aluno, valorizando suas experiências já que para tornar a aprendizagem significativa deve estabelecer uma relação com a realidade em que esse aluno atua.

Portanto, podemos notar que a disposição de mesas em círculo são adequadas para situações de debate, onde se busca soluções em conjunto para um problema levantado, tomada de decisões etc.

CONCLUSÃO

A forma adequada de dispor as mesas em sala de aula vai depender dos objetivos específicos de cada momento e das estratégias de ensino que o professor deseja utilizar. É importante que o espaço favoreça a possibilidade de se rearranjar a disposição das mesas conforme necessário.

Se a necessidade é de aplicar um teste de conhecimento para avaliar o aluno individualmente, a forma que mais favorece é a enfileirada. Durante estas avaliações não é permitido que os alunos conversem entre si, há um objetivo definido pelo professor para que essa avaliação seja realizada deste modo, portanto, não se pode concluir que seja errado a disposição das carteiras deste jeito, mas necessário que seja assim durante este momento. Se o professor precisa explanar um assunto e necessita de “ordem” na classe, também é o tipo de organização que mais favorece.

Durante as aulas, justifica-se o uso das mesas agrupadas sempre que o professor desejar que os alunos interajam na busca de soluções e para a resoluções de exercícios onde podem trocar conhecimentos até conseguirem solucionar o problema.

E finalmente, a organização em círculo é adequada para os momentos de discussão onde se faz necessário oportunizar a todos a chance de colocarem suas ideias verbalizadas.
O que se conclui é que não há uma única maneira de organizar o espaço da sala de aula, não há o que seja certo ou errado, mas de acordo com o momento se faz necessário o uso de formas diversas de organização. O professor precisa saber exatamente qual é a intencionalidade da sua ação para definir as melhores estratégias, inclusive tendo como uma das principais, a organização do espaço em sala de aula.

BIBLIOGRAFIA

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, 1996. Disponível em: Acesso em: 03 nov. 2013.

FREITAS, João Batista de. A organização do espaço escolar favorece a qual aprendizado? Humus Consultoria, 2008. Disponível em: Acesso em 03 nov. 2013.

GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar e aprender com sentido / Moacir Gadotti - Novo Hamburgo: Feevale, 2003.

OLIVEIRA, Marta K. de. Vygotsky. Aprendizado e desenvolvimento: Um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1997. (Pensamento e ação no magistério).


TEIXEIRA, Madalena Telles; REIS, Filomena. A Organização do Espaço em Sala de Aula e as Suas Implicações na Aprendizagem Cooperativa. Meta: Avaliação | Rio de Janeiro, v. 4, n. 11, p. 162-187, mai./ago. 2012. Disponível em: Acesso em 3 nov. 2013.

Imagens ilustrativas retiradas da internet.

1 Comentário:

Monique Cruz disse...

Adorei seu texto!

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