quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Escola: Espaço de aprendizagem e de relações sociais

Texto por: Alda Cavalcante Bezerra

A escola é um espaço de aprendizagem e de relações sociais. Levando em conta o seu importante papel na formação de um indivíduo integral, considerando os aspectos cognitivos, afetivos e sociais da pessoa como um todo, há de que se pensar em ofertar um currículo amplo que não se limite exclusivamente à transmissão de conteúdos. É importante e necessário ter conhecimentos linguísticos e de raciocínio lógico-matemático, as não se deve deixar de lado aspectos éticos, estéticos e físicos que podem ser encontrados respectivamente em disciplinas como Sociologia, Artes e Educação Física.

O período vivido na escola é visto como uma etapa que prepara o sujeito para o mercado de trabalho, mas não deve se fadar somente a isso. A vida acontece agora, as oportunidades de aprendizagem estão presentes em todas as situações.

As experiências vivenciadas hoje na escola podem, muito mais do que prepará-los para o que há de vir, mas atender as suas reais necessidades que ocorrem no instante presente.

O ser humano é um ser único, com objetivos pessoais que lhe pertencem exclusivamente e, ao mesmo tempo, faz parte de uma sociedade onde intervém, transformando-a e que também o transforma. Esta individualidade deve respeitar os direitos de outras pessoas. Somos seres sociais e sociáveis, que para que possa se desenvolver plenamente deve estabelecer relações de trocas com outros indivíduos. Estas trocas se dão em todos os aspectos: sociais, econômicos, afetivos etc. 

Segundo as teorias mais modernas de aprendizagem, nós aprendemos quando nos relacionamos com outras pessoas e com as experiências que vivenciamos no ambiente do qual fazemos parte. Portanto, nossas relações e nossa ação sobre os objetos de aprendizagem permite que desenvolvamos nossas capacidades cognitivas mais plenamente.

Cabe ressaltar que atualmente já não impera o modelo tradicional onde o professor é o único detentor do conhecimento ao passo em que o aluno nada sabe e deve ser preenchido com informações que em sua maioria não lhe atribui sentido. A aprendizagem se dá na troca, quando o educador reconhece que também é aprendiz e se abre para a oportunidade de aprender continuamente através de uma relação horizontal com outros professores, alunos, comunidade e equipe escolar.

A criança, o adolescente e o jovem possuem uma característica curiosa que deve ser valorizada para potencializar a sua aprendizagem, dando estímulos para que se torne autônomo na busca pelo conhecimento.

O conhecimento por sua vez se transforma, não é estagnado e é construído na medida em que o indivíduo assimila e acomoda novas informações. Grandes verdades ditas hoje podem ser contestadas amanhã, logo, a mente curiosa e em permanente busca estará “antenada” com o que acontece no presente se lhe tiver sido desperto a vontade de “aprender a aprender” e “conviver” respeitando os espaços e diferenças alheias.

A escola deve ser inclusiva e dar oportunidades para que todos possam se desenvolver segundo suas particularidades, respeitando o ritmo próprio do aluno e de acordo com suas potencialidades. Ainda, cabe à escola oferecer possibilidades para que o aluno possa realizar atividades que valorizem o seu protagonismo, sendo assim atuante e participativo, elevando suas capacidades ao exercitar suas habilidades na dança, teatro, artes plásticas, grêmio estudantil etc.

As habilidades do aluno se diferem. Alguns obterão maior êxito em exatas, outros terão melhor desempenho em linguística, e assim sucessivamente. Deste modo, a escola deve oferecer alternativas para formar o educando em suas especificidades, valorizando as mais diversas formas de manifestação e expressão, incluindo as habilidades artísticas e esportivas, tão comumente relegadas ao segundo plano, ou mesmo, inexistentes.

As atividades esportivas colaboram com aspectos importantes que favorecem o desempenho do aluno em sala de aula, tais como a capacidade de canalizar as emoções, energia e empenho ao trabalho em equipe, tão valorizado na sociedade moderna e no ambiente escolar.

Toda a escola, portanto, quando envolta numa atmosfera acolhedora, onde todos os integrantes se responsabilizam pelo sucesso e insucesso de suas ações, buscam ouvir a demanda dos alunos e da sociedade, tem uma força transformadora que mobiliza os alunos a serem atuantes responsáveis pelo seu processo de desenvolvimento.

O trabalho em grupo, presidido através de uma gestão democrática e participativa, onde professores, alunos e pais possam exteriorizar os seus anseios e oferecerem suas contribuições para que a escola possa atender melhor e mais satisfatoriamente sua clientela, conduzindo-os a uma aprendizagem prazerosa, deve ser valorizado e ser visto como um princípio de uma unidade escolar que preze pelo desenvolvimento integral do aluno.

O professor tem papel fundamental dentro de todo o processo de aprendizagem, mas não é o único agente capaz de estimular o aluno. O sistema escolar e a comunidade devem estar presentes, inclusive ajudando a decidir questões importantes dentro da escola. Normalmente os pais de alunos são chamados na escola para ouvirem reclamações sobre as notas, a participação e desempenho de seus filhos, quase não podendo ser ouvido quanto às suas expectativas em relação à aprendizagem dos mesmos, são relegados a segundo plano como se não pudessem vir a ser colaboradores em potencial da gestão escolar. As reuniões escolares, costumeiramente, servem para que os professores apontem as dificuldades do aluno, a ausência da parceria dos pais e responsáveis, mas não abre espaço ao diálogo construtivo, não traz esses indivíduos para participarem efetivamente da escola, na qual poderiam contribuir com suas experiências e conhecimento diversificado de mundo.

Os alunos, por sua vez, envoltos num ambiente democrático, onde todos pudessem ser ouvidos e contribuírem para as decisões tomadas, estariam constatando na prática a vivência de uma sociedade fraterna, justa e organizada de maneira que se sentiriam parte de um todo globalizado, conectado e deste modo poderiam agir/interagir sendo responsáveis pela parte que lhes cabe, que é o aprender bem, valorizando a educação por se sentirem importantes durante todo o processo.

Bibliografia

PARO, Vitor Henrique. ESTRUTURA DA ESCOLA E PRÁTICA EDUCACIONAL DEMOCRÁTICA / USP GT: Estado e Política Educacional / n.05. Agência Financiadora: CNPq
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