sábado, 21 de junho de 2014

Educar, Cuidar e alfabetizar: Tarefa possível

 

Trabalho entregue no Curso de Pedagogia - Unip Interativa

EDUCAR, CUIDAR E ALFABETIZAR: TAREFA POSSÍVEL



Ao longo dos anos a atenção às crianças de 0 a 6 anos sofreu transformações. Os cuidados deixaram de priorizar o atendimento assistencial às mães trabalhadoras que precisam deixar seus filhos em creche e passaram a ser considerados como direitos das próprias crianças.
Passou-se a levar em consideração como a criança age, pensa e sente. Apesar disso, ainda é comum encontrar em creches e pré-escolas pelo Brasil o atendimento voltado exclusivamente para a satisfação das necessidades de alimentação e higiene.
O atendimento hoje deve se fundamentar no cuidado e na educação das crianças e o processo educativo necessita estar integrado. A Educação Infantil é o início da trajetória escolar da criança, e esta, como sujeito de direitos necessita que os profissionais que a atendem estejam envolvidos numa dinâmica de comprometimento, dedicação, cooperação, afetividade e sensibilidade para atender às demandas familiares e das crianças.
Educar significa oferecer situações de cuidado, brincadeira e aprendizagem, orientadas de forma integrada, de maneira que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de ser e estar com os outros, numa atitude de aceitação, respeito e confiança.

Donohue-Colleta (apud Campos, 1994, p. 31) resume, da seguinte forma, as necessidades das crianças entre 0 e 6 anos de idade: 

"Crianças de 0 a 1 ano necessitam:

-proteção para perigos físicos;
- cuidados de saúde adequados;
- adultos com os quais desenvolvem apego;
- adultos que entendam e respondam a seus sinais,
- coisas para olhar, tocar, escutar, cheirar e provar;
- oportunidades para explorar o mundo;
- estimulação adequada para o desenvolvimento da linguagem.   

Crianças entre 1 e 3 anos necessitam todas as condições acima e mais:
- apoio na aquisição de novas habilidades motoras, de linguagem e pensamento,
- oportunidade para desenvolver alguma independência;
- ajuda para aprender a controlar seu próprio comportamento;
- oportunidades para começar a aprender a cuidar de si próprias;
oportunidades dianas para brincar com uma variedade de objetos.

Crianças entre 3 e 6 anos (e acima desta idade) necessitam todas as condições acima e mais:
- oportunidade para desenvolver habilidades motoras finas;
- encorajamento para exercitar a linguagem, através da feia, da leitura, e do
canto;
- atividades que desenvolvam um senso de competência positivo;
- oportunidades para aprender a cooperar, ajudar, compartilhar;
- experimentação com habilidades de pré-escrita e pré-leitura".

A educação auxilia no desenvolvimento das capacidades de apropriação do conhecimento, das potencialidades corporais, afetivas, emocionais e éticas, contribuindo para a formação de crianças saudáveis e felizes.
Segundo Thiesen; Beal (apud Silva; Guimarães, 2014, p.6):

O período que a criança passa no jardim de infância é de extrema importância na construção dos alicerces de sua afetividade, socialização e inteligência e, consequentemente, em seu desenvolvimento integral e harmônico. Para que a escola possa cumprir esse papel, é necessário conhecer as características do desenvolvimento infantil até os seis anos e organizar o ambiente e as atividades da pré-escola de modo a atender às necessidades das crianças nessa etapa da vida.

Cuidar é valorizar e ajudar a desenvolver as capacidades. O ato de cuidar precisa considerar as necessidades das crianças, que sendo observadas, ouvidas e respeitadas dão pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo.
Cuidar e educar caminham juntos. Para cuidar é preciso que se esteja comprometido com o outro, disso nasce o vínculo entre quem cuida e é cuidado.

O desenvolvimento das crianças depende das aprendizagens realizadas através das interações estabelecidas com o outro, os quais influenciam e potencializam o desenvolvimento individual da criança.
Cuidar relaciona-se com o desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e social. Não se limita, portanto, à sobrevivência física, pois à medida que vão sendo satisfeitas suas necessidades de alimentação, higiene, saúde, locomoção, vão surgindo as necessidades relacionadas à exploração do mundo, de si mesmo e do outro.
Deste modo, educar e cuidar são ações que devem ser planejadas, organizadas, levando em consideração os pontos de vistas dos educadores e das crianças, através do diálogo entre as diferentes culturas que circulam no interior da escola.
O cuidar e o educar devem promover a autonomia da criança, seja física, emocional ou intelectual. O espaço deve ser educativo, os ambientes acolhedores, alegres, seguros e oferecerem experiências desafiadoras.
É importante que haja diálogo com as famílias, investimento em formação continuada dos profissionais que atuam com as crianças pequenas e a oferta de uma base sólida de afeto.
A primeira fase da vida é fundamental para o desenvolvimento e tem um impacto na situação social, psicológica e econômica da criança. Nessa fase ela precisa ser estimulada brincando, cantando e falando. Cada toque, movimento e emoção sentidos por uma criança contribuem com sua formação neural.
A criança que dispõe da colaboração de adultos e de crianças mais experientes, num espaço de interação e de interlocução, pode, ao participar de atividades compartilhadas, apresentar comportamentos e habilidades que não seria capaz de manifestar sozinha, sem o auxílio do outro. Daí depreende-se que a ação educativa planejada e com intencionalidade pedagógica bem fundamentada, traz benefícios para a formação integral da criança.
A formação da criança deve ser promovida no todo, visando o seu desenvolvimento integral (aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e sociais). 
Deve-se ainda respeitar a heterogeneidade social e a diversidade cultural que caracteriza os grupos infantis, pensando na criança como ser inteiro, que desenvolva sua capacidade intelectual e afetividade de maneira plena.
Todo esse percurso que integra o cuidar e o educar prepara a criança para o mundo letrado, favorecendo o processo de alfabetização, pois a criança detém uma base estruturante que lhe garante as necessidades fundamentais da infância.
Segundo Sampaio (apud Silva; Guimarães, 2014, p. 12), verificamos que:

Embora seja indispensável que a criança tenha acesso à linguagem escrita, a escola tem de pensar que a criança vive num universo de linguagens. Ter acesso na escola [e na Educação Infantil] às diferentes linguagens - gráfica, gestual, plástica, cinestésica, musical, corporal , televisiva, informática etc. - é fundamental [...]. É imprescindível que a criança desenhe, não para desenvolver "habilidades", mas para ter acesso à linguagem pictórica; ao canta r, não é para, simplesmente, ocupar o tempo na pré-escola, e sim ter a possibilidade de acesso à linguagem musical; ao modelar, pintar, recortar e colar, ter acesso à linguagem plástica; ao liberar seus movimentos, está se expressando com todo o seu corpo e tendo acesso à linguagem corporal..

A criança como ser social convive com outras pessoas e utiliza linguagens para se comunicar. As situações de leitura e escrita são vivenciadas como forma de comunicação, de linguagem e a criança tem acesso a esses símbolos e signos. A alfabetização não deve ser forçada, mas naturalmente apresentada à criança dando continuidade ao que já faz parte de sua realidade, ampliando suas redes de conhecimento, num processo contínuo que apresente o mundo letrado de maneira prazerosa e plena de sentido.

Referências

BRASIL. Referencial Curricular Para a Educação Infantil. v. 1, Brasília: MEC/SEF, 1998.

CAMPOS, Maria Malta. Questões sobre o perfil profissional de Educação Infantil.
MEC/COEDI. IRIIJP. Belo Horizonte, 1994. Disponível em: http://www.livrosgratis.com.br/arquivos_livros/me002343.pdf#page=30 Acesso em: 27 maio 2014. 

MACHADO, Maria Lucia de A. A Educação infantil em tempos de LDB. São Paulo: FCC/DPE, 2000. Disponível em: http://www.fcc.org.br/biblioteca/publicacoes/textos_fcc/arquivos/1330/arquivoAnexado.pdf Acesso em: 25 maio 2014.



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SILVA, Fernanda Costa Fagundes; GUIMARÃES, Márcia Campos Moraes. O professor de Educação Infantil: Cuidar ou Ensinar? Um novo olhar. IV EDIPE - Encontro Estadual de Didática e Prática de Ensino, 2011. Disponível em: http://www.ceped.ueg.br/anais/ivedipe/pdfs/didatica/co/CO%20461-1150-1-SM%5B1%5D.pdf Acesso em: 26 maio 2014.





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