sábado, 20 de junho de 2015

O ser humano como ser pensante e atuante na sociedade


Trabalho entregue no curso de Pedagogia/Unip

A existência humana é uma incógnita que há muito tempo vem sendo discutida por cientistas, filósofos e religiosos que tentam explicar qual o sentido da vida, qual a missão de cada indivíduo e se a Terra é o único planeta que habita seres vivos.
Quem nunca se perguntou qual o motivo de estar aqui? E vivemos, por conta desta dúvida, buscando nosso espaço de atuação que nos traga sentido de plenitude e que nos faça sentir úteis e reconhecidos perante a sociedade da qual fazemos parte.
O ser humano necessita se relacionar com sua comunidade e buscar por objetivos que lhe garantam não somente o sustento para as necessidades básicas, como também a certeza de que suas ações e funções desempenhadas tem valor para a sociedade e de que sua contribuição está sendo percebida e que é diferenciada.
Os interesses que nos motivam são diversos e distintos, uns tem por objetivo a satisfação e realização pessoal, outros almejam o crescimento econômico, o status, o poder. São tão diversificados os objetivos humanos tanto quanto somos em número.
Diante disso, temos que atentar que embora a maioria busque por reconhecimento e por espaço para desempenhar suas funções, diante da complexidade e da infinitude do universo somos como grãos de areia em sua insignificância. Mas, que não esqueçamos das proporções que tomam um grão de areia quando cai no olho, ou seja, mesmo tão pequenos diante da imensidão, podemos fazer a diferença em algumas situações a que nos propusermos com afinco.
A escola tem uma função social, que dentre outros elementos, visa a promoção do desenvolvimento integral do ser humano em seus diversos aspectos (social, afetivo, cognitivo, psicológico, artístico, físico etc.). Nem sempre a escola consegue cumprir seu papel, ou mesmo, talvez de fato não o consiga, visto que se o objetivo é formar cidadãos conscientes, politizados e participativos, o que vemos na realidade são seres humanos perdidos, desorientados e sem foco que saem da escola sem saber qual o rumo tomar, qual profissão escolher, em que área deva atuar.
Como formadora, a escola precisa trazer a debate as questões que levem os educandos a refletirem sobre seu papel dentro do grupo, trazendo à tona o respeito às diferenças (de crença, sociais, sexuais, religiosas, pensamento) e que assim como temos direitos, também temos deveres e nos cabe respeitar os direitos dos outros. Na sociedade atual, onde se prioriza tanto o TER e onde as pessoas buscam a notoriedade a qualquer preço, não de forma geral, mas são os atributos e qualidades que a mídia nos inculca como corretas e admiráveis, discutir sobre valores e formação integral, levando em conta que apesar de indivíduos somos pertencentes a um grupo o qual devemos respeitar, é uma tarefa difícil e um terreno onde a escola não consegue semear sozinha.
O ser humano é repleto de anseios, de angústias, de tantas emoções, crenças e valores que determinam suas atitudes no dia-a-dia, considerando que toda a sua construção enquanto indivíduo se dá através das relações que estabelece com o outro onde realiza troca de experiências e vivências que formam e transformam o seu caráter. A escola lida com essa diversidade e tem a possibilidade de colocar em confronto os diversos modelos estruturais que foram o ser social em suas especificidades. No ambiente escolar temos indivíduos de diferentes classes sociais, de formação cultural diversa, de crenças que se contrapõem e tudo isso cabe num espaço que precisa ser pensado para privar pelo sentido democrático, onde as diferenças devem ser pensadas como novas formas de interação e de aprendizagem, da prática da tolerância e do consenso de que todos que ocupam um lugar na vida são dignos de respeito e precisam ter seus direitos garantidos.
Discutir sobre quem é o ser humano, qual sua história, quais os seus sonhos e projetos diante da possibilidade de ocupar um papel no mundo, é uma tarefa que a escola precisa assegurar de modo que todos possam participar para ampliar o conhecimento de si mesmo, do outro e do grupo como um todo.
O espaço escolar é um ambiente plural, os interesses como já foi dito, são diversos, e a escola educa os sujeitos que irão atuar no mundo e darão sua contribuição para o desenvolvimento da humanidade como um todo. Toda a base educacional deve garantir ao educando que ele possa se formar e desenvolver a sua autonomia e criticidade, de modo que este indivíduo possa se indignar com as injustiças sociais e exercer a sua condição cidadã de maneira responsável e acertada.
A formação ética, bem como o conhecimento de conteúdos básicos educacionais que alicercem a construção da carreira do indivíduo enquanto profissional precisa ser abordado com ênfase na escola, assegurando a todos a oportunidade de ampliarem seus horizontes e buscarem uma vida sempre mais digna e pautada em valores morais.
A escola pode ajudar muito na formação de valores, na percepção de quem é o ser humano na perspectiva da vida social, cultural, política, psíquica etc. A construção da personalidade se dá enquanto o sujeito atua na família, na escola, na sociedade e não se constrói tão somente no berço familiar. É na prática diária, o que inclui na escola, que o indivíduo constrói a si mesmo e, portanto, é onde também deve encontrar amparo para suas aflições e orientação para que possa ter um melhor preparo para a vida.
Temos, portanto, que a escola deve contemplar a formação ética e a instrução, que dá o alicerce necessário para que o educando possa atuar em seu meio com responsabilidade e consciente de seus deveres e responsabilidades para consigo e com o outro. (PÁTARO E ALVES, 2011).
As práticas escolares precisam priorizar em seu cabedal de objetivos o estímulo ao aluno para que seja crítico, autônomo e atuante diante dos problemas que reais vividos pela sociedade. Se a escola continuar formando pessoas alheias ao que acontece no mundo, continuaremos a assistir imparcialmente aos feitos e desfeitos do governo que esqueceu o que é moralidade e que vitimizam a população com a falta de segurança, saúde, moradia e os direitos fundamentais que só configuram na Constituição, estando bem distantes da realidade.
Como nos diz Paulo Freire (1996):

O mundo não é. O mundo está sendo. Como subjetividade curiosa, inteligente, interferidora na objetividade com que dialeticamente me relaciono, meu papel no mundo não é só o de que m constata o que ocorre mas também o de quem intervém como sujeito de ocorrências. Não sou apenas objeto da História, mas seu sujeito igualmente. No mundo da História, da cultura, da política, constato não para me adaptar mas para mudar.

A escola forma pessoas e as pessoas tem a capacidade de transformarem o mundo tornando-o melhor e mais digno. O que temos hoje na sociedade, na política e na economia é reflexo da formação que temos tido ao longo dos anos. Se não somos bem formados, se não somos ensinados a pensar, a questionar, a sermos críticos e atuantes dentro da sociedade em que vivemos, estamos fadados a vermos o reflexo dessa falta de instrução nas mazelas que nos circundam.
Segundo Delors (2001):

O sistema educativo tem, pois, por missão explícita ou implícita, preparar cada um para este papel social. Nas sociedades complexas atuais, a participação em projetos comuns ultrapassa em muito a ordem do político em sentido estrito. É de fato no dia-a-dia, na sua atividade profissional, cultural, associativa, de consumidor, que cada membro da coletividade deve assumir as suas responsabilidades em relação aos outros.

Como vemos, no dia-a-dia somos responsáveis uns pelos outros, as decisões que tomamos, a função que exercemos incide na vida do outro e é preciso que essa intervenção seja realizada de maneira que torne a vida do outro melhor, que resolva o problema que por ele nos foi confiado e que atenda suas necessidades reais de maneira pontual. Somos seres sociais, vivemos coletivamente prestando serviços aos outros e necessitando dos serviços de outros, portanto temos que ter essa consciência de que somos parte de algo maior, nosso mundo não se limita aos nossos interesses, às nossas necessidades exclusivas, somos parte de um todo, de somos indivíduos dentro de uma sociedade e devemos viver como tal de maneira ética e nos responsabilizando pelas nossas ações.

Referências

DELORS, Jacques (org.). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 2001.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.


PÁTARO, Ricardo Fernandes; ALVES, Cirsa Doroteia. Educação em valores: A escola como espaço para a cidadania na sociedade contemporânea. UNESPAR/ Fecilcam, 2011. Disponível em: http://www.fecilcam.br/nupem/anais_vi_epct/PDF/ciencias_humanas/07.pdf Acesso em 23 mai. 2015.



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